sexta-feira, fevereiro 18, 2005

A morte saiu à rua

A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome pra qualquer fim

Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue dum peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal

E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte
O pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama
Outra morte Igual

Só olho Por olho e
Dente por dente Vale

À lei assassina
À morte que te matou

Teu corpo pertence à terra que te abraçou
Aqui te afirmamos dente por dente assim

Que um dia rirá melhor
Quem rirá por fim

Na curva da estrada
Há covas feitas no chão

E em todas florirão rosas duma nação

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