Após anos de afastamento daqueles que julgamos amigos...íntimos, criados juntos até ao dia do casamento...da separação.
Tão amigos que nós éramos!!!
Inseparáveis!
Dias e dias à aventura, sempre todos juntos, criados na maior escola da mundo, com a certeza que estávamos sempre em grande, sem medos, sem receios.....também....quem nos poderia fazer mal?
Hoje mais do que nunca, continuamos, um processo que para alguns é natural, para outros não!
Criamos os filhos, longe uns dos outros, vivemos com a certeza que estamos a construir um lar, uma família.
Mas....então nós não éramos já uma...família?
Então porque o afastamento?
O Tribunal continua lá, no sitio do costume...agora sem a audiência de outros tempos, mas com a mesma austeridade que sempre o caracterizou, onde nos reuníamos em grandes grupos, sempre juntos, em família que éramos então.
Agora?
Não sei.
Não éramos amigos?
O que é um amigo afinal?
Há quanto tempo não sabes de mim?
...e eu de ti?
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
2 comentários:
Por vezes sonho com eles, os amigos. Lembro-me das tertulias desorganizadas que decorriam durante horas e que abrangiam temas que iam desde o Kamasutra da punheta até à personalidade do Manteigas versus Trinta. Pra mim,
esses foram anos felizes que nunca me sairam da mente.
Tenho pena que a vida deixe marcas que possam envergonhar. Tenho vergonha de mostrar que falhei onde os outros não mostram sinais de falha. Tenho vergonha de dizer que tá tudo bem, quando não está. Tenho vergonha de ter receio de começar de novo. Recomeçar.
Por vezes sonho com eles, os amigos.
Lembro-me do cheiro das manhãs de Sábado. Lembro-me de ficar horas a fio, de dia ou de noite, sentado numa escadaria de cimento a conversar acerca de... nada, horas a cuspir para o chão, porque era giro. O Sofá, era o nome que davamos a à escadaria. Quem passava tinha que pedir licença, pois eramos uns dez sentados a ver a vida a decorrer na "bafa". As miudas tinham terror de passar por ali. Não havia uma que não ouvisse uma boca, do género, "és feio c´mó caralho". Os nossos pais estranhavam o facto de ficarmos sempre ali, mas nós eramos felizes. Conheciamos a fundo todas as nossas virtudes e defeitos. Quando me lembro, tenho a certeza que aqueles "pelintras" conhecem a toda verdade sobre a minha infância e adolescencia, tal como eu conheço a deles. Entre nós não pode haver mentiras sobre esse passado longinquo, pois eles viram o passado a acontecer. Eles estavam presentes em todos os momentos. Na mesma escola, na mesma turma, na mesma carteira, no mesmo bairro, na mesma rua, no mesmo prédio, na mesma piscina, na mesma praia, no mesmo café. Com o mesmo cigarro, a mesma ganza, a mesma cerveja, enfim, amigos.
Do fundo coração, tenho saudades.
Enviar um comentário